domingo, 2 de dezembro de 2012

não vale um vintém.

Eu não nasci pra ter metade de amor
Pra ter fatia, ter pedaço de você
Você se foi e o povo ainda fala bem
Futuro bom na escala de um pra cem


O tal vizinho desacostumou
A batucada nunca mais soou
Vem toda gente e traz acordeon
Que até em forró se faz adoração


Pra que se apressar?
De fé em fé se tem inteiro de alguém
Não precisa mais chorar
Rancor só mata e não vale um vintém - sequer


Vai e chama o vizinho pro samba
Engole o choro que hoje é dia de alegria
Bota sua fé no Cara que escreveu sua vida
Que antes de você sacar, Ele curou sua ferida

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Vez nu.


agora ela parou pra pensar. pensou em quanto o que a cerca não tem posse da sua atenção porque resolveu fazer do olhar, radicalmente vertical. é aí que ela se encontra inteira, sem nenhuma espécie de proteção de si mesma. topa permanecer vidrada no encontro. e cogita sempre visitar o azul. transpõe o sensível e se torna invisível, pra não explicar nada de tudo ou tudo de nada que entendeu. ela permite que ele traga pra dentro dela o apertinho de vontade de ver o outro bem, estar bem, querer bem. não olha pra si e entende a plenitude de não ser, pra que um outro seja - e nunca saiba que ela não foi. se vê acompanhada de quem não sabe quem. mas as vezes é certa de quem respira o ar junto. ah...mas a atenção é dele. o dono do poder incomparável de ser a melhor parte de todos os dias dela. de ser o impulso pra qualquer inspiração - triste ou alegre - mas que canta. ele ta todo dia gritando. vez eufórico e aparecido. vez calmo e discreto. vez nu. mas todo dia gritando enquanto a chama pro aconchego. ai, o céu tem dessas coisas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Até o dia acabar.

E pro dia nascer suspirante, tomo tento
E me entrego pra presença viciante
Faço das Tuas artes esperança
Tiro e queda pro meu medo, sou criança
Eu escolho cantar, escolho cantar
Trago à memória os dias maus e
Torno a rir pro melhor que hoje tenho
Oportunizo um sorriso qualquer
Mas se não causa outro só me abstenho
E escolho cantar, escolho cantar

Não escolhi porque sei, só escolhi porque assim
Transpareço tudo, tudo o que vem
Não quero mais que ninguém
Só quero ser companhia que faz sorrir alguém 

E pra tarde ir embora contente
Faço hora e reparo no que a faz sumir
Finjo não ser comigo toda a correria cinza
Gente atordoada atrasada atarefada
Eu escolho cantar, escolho cantar
Protagonizo na figuração
Me contento em ser atuante nessa série vida louca
Deixo que Deus tome o o papel principal
Lhe dou de vez meu coração, e mesmo rouca
Eu escolho cantar, escolho cantar

Não escolhi porque sei, só escolhi porque assim
Transpareço tudo, tudo o que vem
Não quero mais que ninguém
Só quero ser companhia que faz sorrir alguém 

E pra noite ser bem vinda chamo toda 
Minha gente e convenço que o melhor mesmo é
É escolher cantar, escolher cantar - até o dia acabar.